O Lar Infinito do Ser…

Como muitos, já hospedei o Deus de Amor adormecido no sótão empoeirado, como um livro que já havia lido várias vezes, sem conseguir assimilá-lo. Já aloquei a essência de toda a vida no quintal ao relento, mesmo aquecido no calor de seu imensurável acolhimento. Às vezes, cheguei mesmo a guardar esta Fonte Infinita de Amor e Sabedoria no porão, como ferramentas que um dia poderia precisar para consertar algo. Fiz, entorpecido pelo mundo das formas, do que me pareciam palpáveis, até o ponto de perde-las em totalidade, para entender que não há totalidade, sem sentir-me pleno, que não há casa sem o verdadeiro Lar.

Não há cômodos, não há tetos, não há pisos, paredes, quintais ou muros que nos separe de quem somos. Há em verdade, o manifesto em uníssono por onde nos movemos, desse Amor imensurável, que ao resgatarmos nas mentes de nossos templos, concedidos às experiências de sabermo-nos Luz, fluentes e desbravadores pelo mundo das lutas inglórias, da competição pela conquista do efêmero, percebemos por nós mesmos, ao sentirmos profundo as alegrias e emoções, inenarráveis em palavras humanas, em cada manifesto em que podemos nos ver, nos ouvir ou nos sentir, que há algo além daquelas formas, que acreditávamos definirmos, expressando-se em regozijo de liberdade, por fazermos de nossos corações novamente despertos, sua eterna morada…

É o que pude perceber, ao ver-me e ouvir-me em cantos e sorrisos com tudo o que há de se perceber belo na Vida… Está nos tons variados de verde nas vegetações… Nos grãos de areia… Nos pés descalços a integrar-se com o barro… No respirar profundamente… Nos bichinhos que se aproximam, para desfrutar de tua comunhão… Pois a comunhão com Tudo que é real, reaproxima tudo… Não enxergada num mundo de plástico projetado sem essência, que nada produz, além do que ilude, e a nada conduz senão ao retorno, consciente de nós mesmos…

Gratidão por poder sentir tão imensamente e tão intensamente, que a verdade da vida eterna desse Amor de Deus, está para além das aparências de contextos ilusórios, das vaidades e frustrações… Está sim, dentro, e advém daquilo que antes era simples silêncio…

Ao sentir aquele toque de saudade do que não me recordava, combinado com uma sensação de emocionante amor dentro de mim, que se comunicava sutilmente… Comecei meus passos ao sentido contrário do que o mundo havia-me confinado, em buscas sem sentido… Até chegar aqui, agora, encantado com a misericórdia despendida ao meu adormecido personagem. E, encerrando meu último ato como marionete da vida, que não enxergava a vida, com o coração inflamado e o pensamento já envolto pela verdade, exprimi de minha vontade, agora como a supremacia de compreender-me;

No agora, sou quem Eu Sou, não pelo que já fui às cegas… Mas a cegueira ensinou-me mais do que qualquer saber, que no coração que inflama de ti, Sou por inteiro e o que perdi não foi meu feito…

Eu Sou o que gosto de ser… O que sempre quis sentir e para muitos do não saber transitório do ter… Um louco sonhador do Ser que sente… Sem nada pedir…

Para quem como eu já caminhou sem destino, Eu Sou o reencontro que se desfaz, no perceber-me nunca ter partido…

Eu Sou o que sempre fui, que de passado longínquo, recordo-me de ti, por ti… Por nós reintegrados sem nós, somente o Um Eterno…

Amo da essência do que fomos, porque presenteastes este pensamento adormecido no não Ser, até poder sentir novamente, que me resgatas agora da ideia que somos, para sentir-te em meu Eu Sou… Sou o que sei, sem nada mais buscar saber… É tudo o que almejei do tempo, para saber de ti em mim Eterno…

Sou tudo por mim sentindo-te… Eu sou tudo por todos que diversificas, nos laços do teu único Amor… Do Eu e Ti, teu abraço o único porvir… Da tua única palavra, a poesia da devoção manifestada por mim, honrosamente declamo, de mim, teu único Verbo…

És a única voz deste que canta o Amor… Neste campo das investidas ilusórias… Onde vim por ti, a exprimir, sempre a mais bela canção… A melodia de teu único manifesto… O que se recria do Amor, na intenção do servir…

Em teu sentido único, nenhum caminho mais, por perseguir… Me vejo estático em ti, a prosseguir no absoluto…

A todo instante em ti, Eu sou feliz… Até deixar de ser instante… Apenas o fluir… Sendo o maior de todo Ser… Morrendo para o mundo… Renascendo para o eterno, desse meu Amor Profundo…

escrito por Alfredo Henri Cury (Fred Cury)

Versão em vídeo/áudio, declamada pelo autor: https://youtu.be/LiIOLW5gnu8

 

 

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